Foto Renan Mattos, Arquivo, 11/07/2019
Com o fim do contrato da Rumo para administrar as ferrovias da Malha Sul em fevereiro de 2027, após 30 anos, o ministro dos Transportes, George Santoro, disse nesta quinta (25) que o governo pretende fazer o leilão dividindo as estradas de ferro em três lotes e não acredita em licitação deserta. Segundo ele, já foram feitas 10 apresentações do projeto, os chamados road shows, a possíveis investidores.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Pela proposta, dois lotes terão trechos passando por Santa Maria e região (veja quadro abaixo). Atualmente, só está em operação o trecho entre Cruz Alta, Santa Maria, Cacequi e Rio Grande. As ferrovias de Porto Alegre para Santa Maria, Passo Fundo e Santa Catarina estão bloqueadas devido aos estragos da enchente de maio de 2024.
– Fizemos cinco road shows desse projeto no Brasil e cinco no Exterior. Acabamos de voltar da China. E temos muitos interessados para todos os lotes. Na eventual hipótese de não aparecer interessados, vamos sentar, ver o que deu errado, corrigir e colocar de novo no mercado. Muito se falava de não haver interessados nos leilões rodoviários, mas em todos teve interessados – disse Santoro em entrevista à Rádio Gaúcha pouco antes de ato em Santa Maria.

A intenção do governo é fazer esse leilão dos três lotes este ano. Tanto é verdade que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) abriu consulta pública ao projeto de concessão em junho, para que a população e entidades conheçam a proposta e sugiram mudanças. Os detalhes estão no site da ANTT, e o prazo para envio de contribuições vai até 10 de agosto. As sessões presenciais serão em Brasília (DF), na modalidade híbrida (presencial e virtual) em 16 de julho, com transmissão ao vivo pelo canal da ANTT no YouTube; Curitiba (PR), em 27/07; Porto Alegre, em 29/07; e Florianópolis (SC), em 31/07.
Apesar do plano de fazer o leilão este ano, nos bastidores, há a hipótese de renovar com a Rumo por mais 2 anos caso não haja empresas interessados ou tempo hábil de fazer os leilões.
– Fizemos um projeto muito estudado. A gente acredita que os três lotes são muito relevantes e estratégicos, e a coisa importante: a gente integra o Rio Grande do Sul à malha ferroviária nacional. Hoje ela não é integrada. Infelizmente, ela está deteriorada e sem conexão ferroviária. A atual operadora tem mais 7 mil km para administrar, e deixou 3 mil km sem uso e sem qualificação. O novo projeto, além de dar solução de logística integrada, dá subsídios cruzados entre as malhas (o trecho da Paraná vai bancar obras aqui no Estado) – diz Santoro.